Todos os anos é a mesma coisa...comércio cheio, gente cantarolando, luzes piscando, igrejas em vigília, muito barulho...tudo isso me causa profundo incômodo. Mas não é por causa da agitação e da poluição (em vários aspectos) próprias das festas de fim de ano, ou dos fatos em si. Quem sou para não gostar da “felicidade” alheia? O que me irrita mesmo é toda a hipocrisia e inversão de valores que acompanham as festividades.
Durante toda a minha infância tive uma visão natalina mais comercial do que religiosa. Como toda criança, fui bombardeado pela feroz cultura consumista e, logicamente, me deixei levar por isso. Ficava chateado de não ganhar presentes de algumas pessoas, ou por não gostar das coisas que eu ganhava. Provavelmente várias crianças passaram a agir assim desde a massificação midiática (entenda-se televisão). Mas, até pelo fato de ter sido criado em meio evangélico (com muito orgulho), também sabia que a data era para comemorar o nascimento de Jesus Cristo. A partir da minha adolescência entendi a importância de comemorar a chegada do Rei dos Reis à Terra. Em contrapartida, fui me dando conta do consumismo exacerbado imposto nesta época e que, para a maioria, a “comemoração” da data não passava de pretexto para as pessoas se reunirem com outras que, durante o ano, serviam de capacho, eram assunto para fofoca ou qualquer outra coisa que não fosse sadia. Sorrisos amarelos para todo o lado, presentes dados apenas para seguir regras de etiqueta e pessoas que não se aguentam tendo que “fazer sala” umas para as outras. Tudo isso em nome dos “bons costumes”.
Já no reveillon chega a hora de sermos hipócritas com nós mesmos! Promessas e mais promessas que atravessam os anos e nunca são cumpridas: ‘Neste ano vou parar de fumar!’, ‘Vou conseguir emagrecer!’, ‘Vou achar alguém para amar!’, ‘Serei um marido/esposa melhor!’, ‘Vou trocar de emprego!’, ‘Vou economizar e comprar minha casa!’...e a lista segue... Mas a maioria esmagadora das pessoas não cumpre nada daquilo que prometem nas viradas de ano. Logo depois ouvimos coisas como : ‘Parar de fumar? Pra que!? Vou morrer mesmo!!’ (e morra de câncer, ao invés de naturalmente), ‘Ando muito nervosa/ansiosa e não consigo me conter...mas segunda eu começo a dieta!’( e ficará cada vez mais dificil se olhar no espelho e ter saúde), ‘Amor?? Ninguém presta!! E mesmo que prestasse, não estou preparado...vou curtir a solteirice! (e deixe boas oportunidades passar por você e bater a porta de outros), ‘Pra que melhorar, se aquele traste não muda/merece?’ (e fique achando que o problema está sempre só no companheiro), ‘Não gosto do meu serviço, mas “tá bom” assim, por enquanto’ (e siga aborrecido por ganhar pouco ou trabalhar com coisa que você não gosta), ‘Sei que preciso economizar, mas se o fizer, o que será das minhas festas e viagens??’ (e, numa hora ruim, fique sem as festas, viagens e sem teto).
E assim o seu tempo vai passando como areia fina e seca entre os dedos. Nada pode parar a pequena ampulheta da vida. Só a “grande niveladora”...aquela de quem quase todos têm medo. Mas, se tomarmos por base os nossos atos (ou nossa inércia), não justificamos tal fato. Portanto não deixe que sua vida seja guiada pela hipocrisia e que ela seja maçante. Se desprenda dos valores e comportamentos impostos pela sociedade. Apenas ponha em prática --todos os dias-- aquilo que Jesus ensinou: Ame ao próximo, como a ti mesmo. Não fique na reflexão. Faça deste Natal e do Reveillon datas de ação!
Feliz Natal! Jesus os abençoe!
Francis O. Capelaro
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